sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Relacionamentos ...

Não pretendo aqui dar nenhuma dar conselhos a ninguém sobre relacionamentos, este é um assunto que é muito fácil de teorizar, todos sabem exactamente o que fazer, mas, no fim cada relação estabelecesse com regras próprias que não se definem no inicio, são descobertas ao longo do tempo.

Para mim, a relação deve ser necessariamente um caminho em busca de estabilidade, a relação tem que ser vista como a base, ou, uma das bases, que nos permitem individualmente crescer na nossa esfera pessoal e profissional, se tal não acontece entramos numa relação que acaba por ser um entrave ao nosso desenvolvimento e realização pessoais, e, essa é uma relação destinada a, mais tarde ou mais cedo, fracassar.

Olhando em volta, para os amigos com relacionamentos estáveis e duradoiros encontro uma diversidade incrível, desde casais que vivem juntos há 10 anos sem que precisem de casamentos ou anéis para afirmar o seu amor e o seu compromisso, a casais que se casaram, quase, no dia seguinte a conhecerem-se, casais que decidiram viver fisicamente em casas separadas, casais que vivem relacionamentos abertos, ou mesmo que partilham parceiros sexuais ocasionais. Casais com os mesmos gostos e casais completamente opostos.

Um relacionamento é, obviamente, marcado por concessões de parte a parte, há coisas que pensamos ser importantes para nós, mas que, vamos percebendo que temos de abdicar, da mesma forma, há princípios que são essenciais à nossa identidade e dos quais não abdicamos, invariavelmente nas relações vão existir pontos de conflito, momentos em que visões antagónicas entram em conflito, e, ou surge uma nova visão partilhada do assunto, ou uma das partes cede. Neste assunto, se a relação se estabelece de forma a que uma das partes tem ascendente sobre a outra, as cedências serão sempre da parte mais fraca, mas, esse é um caminho para uma ruptura inevitável.

Ouvi na rádio há alguns meses uma visão interessante sobre o envolvimento emocional dentro de um relacionamento, um psicólogo argumentava que num relacionamento é impossível que as pessoas estejam envolvidas (“apaixonadas”) com a mesma forma, a mesma intensidade e uniformemente todo o tempo, e, se considerarmos um relacionamento longo, serão raros os momentos em que os dois indivíduos estão no relacionamento com a mesma intensidade, segundo ele, o segredo para um relacionamento duradoiro é saber gerir estas diferenças de intensidade nos sentimentos, e saber aproveitar os momentos em que a relação é vivida pelos dois com a mesma intensidade.

Um erro comum é, nos momentos que sentimos que o parceiro está mais afastado, estar a pressionar há procura de algo que, a outra parte não está disponível para dar, há que saber dar o espaço e enquadrar estes momentos como parte integrante do relacionamento.

São lugares comuns, mas não deixam de ser verdadeiros, parece-me que honestidade, diálogo, um projecto de vida, confiança, companheirismo e amor são indispensáveis na construção de um relacionamento estável e duradouro.

Não me parece ter dito aqui nada de novo, mas, por vezes precisamos de falar apenas para podermos ouvir.

Um beijo para o vazio ...

1 comentário:

  1. Muito bem dito, o segredo é mesmo saber gerir as diferenças pois elas sempre existem e se são mal geridas e mal interpretadas podem atuar como um verdadeiro e principal destruidor da relação

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