A palavra fobia significa um medo irracional (“do Grego φόβος "medo" , em linguagem comum, é o temor ou aversão exagerada ante situações, objectos, animais ou lugares”, in wikipedia.com).
O primeiro sinal de Homofobia Enrustida que tenho memória veio do lugar mais inesperado e apanhou-me de surpresa.
Vi, o pai de uma criança de 9 ou 10 anos a entrar completamente em pânico porque o filho acabava de comprar uma chuteiras amarelas. A reacção foi completamente disparatada, o miúdo escolhera as chuteiras porque o seu ídolo (Fabrizio Miccoli), na altura a jogar no Benfica usava uma chuteiras amarelas.
O argumento era que o miúdo seria motivo de chacota na escola se lá aparece-se com uma chuteiras daquela cor, e, para salvar a dignidade da criança, esta foi obrigada a ir à loja trocar as chuteiras.
Quando saí do armário, esta foi uma das pessoas que me deu o seu apoio e a sua compreensão, o que me terá dado na altura uma sensação de conforto e segurança.
Todo apoio acabou no momento em que a pessoa viu-se confrontado com imagens na internet minhas e do meu parceiro, para ser sincero, é preciso muita atenção para encontrar afectividade nestas imagens, que para quem não esteja no contexto bem poderiam ser imagens de dois amigos em férias (ex. imagem seguinte).
A reacção foi, à semelhança da primeira extemporânea e irracional. Um medo irracional desencadeado por imagens de homo-afectividade, um medo irracional que o filho seja exposto a estas imagens e que isto possa influenciar o seu crescimento, um medo irracional que desencadeou um discurso e uma postura irracional, ao ponto desta pessoa se dispor a testemunhar contra mim em tribunal para salvar a minha filha da exposição a esta ignominia.
O mais engraçado e o discurso que não é por ele, ele não tem qualquer problema, mas que é pelas outras pessoas, que a sociedade é homofóbica e que não vai ver com bons olhos as fotos.
Mas a formação humanista, as suas referências sociais impedem esta pessoa de assumir esta sua discriminação abertamente pelo que não consegue sequer aperceber-se da sua homofobia, é fácil traçar um paralelo com a pessoa que diz “Eu não sou racista mas não quero que a minha filha namore com pretos.”, neste caso “Não tenho nada contra gays desde que estes fiquem no armário.”.
Esta é uma forma de discriminação complicada de combater, este “Homofóbico de armário” não consegue sequer admitir o seu preconceito pelo que não o vai conseguir ultrapassar.
Lembro que a homossexualidade não é uma doença, a homofobia, essa sim é considerada doença do foro psicológico, e a capacidade de a superar um sinal de saúde mental.


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