quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Família, muito, pouco ou nada (Revisto)

Por ser demasiado pessoal e emotivo este Post está um pouco difícil de sair. Não sei se será apenas na minha família, mas há assuntos que são vividos com uma tal emotividade que, aos poucos vão rompendo os laços afectivos até que se perdem irreparavelmente. Parece-me a mim disto acontece porque os problemas não são encarados com frontalidade.

É engraçada a diferença de abordagens na resolução de problemas, numa família tradicional moçambicana, e numa família “ocidentalizada”. Numa família tradicional moçambicana os problemas raramente chegam a situações de ruptura, a falta de respeito continuada, as humilhações constantes a um familiar mais velho, por exemplo, teriam sido resolvidas atempadamente com uma sova de um familiar mais próximo, ou com a reunião de um conselho familiar alargado.

Eu não sou apologista da violência, e nem da humilhação pública, prezo o meu meio familiar directo e espero que os problemas se resolvam por lá mesmo, mas, por muito brutal que possa parecer, admiro a frontalidade destes métodos de resolução de conflitos e parecem-me muito melhores do que este “civismo”, ocidentalizado, cheio de desculpas nos “traumas” e nas vicissitudes da vida, que servem para justificar qualquer comportamento. Entra-se num ciclo de cinismo, hipocrisia e falatório pelas costas que vai prolongando um longo e gradual sofrimento.

Mas, a construção do conceito de família, é algo interessante e que vive um momento particularmente dinâmico, as sociedades tendem a tornar-se mais individualistas e as famílias a centrarem-se mais e mais no nuclear (pai, mãe e filhos se existirem), mas mesmo este modelo tem necessariamente de ser contestado, há casais gays (como o meu), casais lésbicos, casais heterossexuais que não querem ou não podem ter filhos. Os avós, os primos, sobrinhos, tios, ficam cada vez mais afastados do conceito central de família, em muitos casos acabamos sentindo-nos mais próximos de amigos que da própria família.

Eu mais e mais me convenço que as pessoas valem pelo que são, e, que o facto de partilharmos um vinculo de sangue não nos obriga a usar uma venda quando analisamos o carácter e o comportamento dos outros.

No meu caso os meus amigos tem sido a minha família alargada e a eles devo muito respeito e consideração.

Um beijo para o vazio ...

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