sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Identidade e Estereótipo

Era uma vez um jovem, robusto, na flor da sua juventude, com ou sem planos de futuro. Caminhava despreocupado numa das ruas da nossa capital. A certa altura um veiculo para ao seu lado e um@ ti@ mete conversa com o jovem. A conversa é curta, o suficiente para marcar um copo ao fim da tarde e trocar números de cel.

O primeiro encontro ocorre bem banal, o jovem sem grandes meios financeiros aproveita o interesse d@ ti@ e bebe umas cervejas à borla. Seguem-se uns quantos encontros idênticos, parte do processo de “domagem” d@ ti@. Aos poucos os dois vão ficando mais à vontade, e vai ficando mais fácil chegar ao objectivo da primeira abordagem.

Num dos encontros , no meios de muita cerveja, o jovem chora da sua falta de meios e @ ti@ aproveita a deixa para lançar o seu anzol, muito bondoz@ como só el@s sabem ser, estava dispost@ a aliviar o seu protegido das suas dificuldades financeiras, a troco de um pequenino favor sexual.

O primeiro impacto da proposta deixa o jovem um pouco abalado, não lhe passara pela cabeça tal coisa, ou talvez tivesse passado, mas um abismo separava a possibilidade e a realidade da proposta. Dado o vínculo de intimidade já estabelecido entre eles e a possibilidade do dinheiro “fácil”, faz o jovem aceitar a proposta.

Consumada a primeira transacção num escondidinho qualquer, sai o jovem com o seu taco na mão e @ ti@, meio decepcionad@ com a falta de jeito da jovem, mas contente com a mais recente conquista.

As semanas passam e de tempos a tempos, ora devido à tesão d@ ti@, ora devido à falta de dinheiro do jovem vão ocorrendo outras transacções idênticas. @ ti@ vai desfilando aqui e ali com seu novo trofeu, e vai despertando a cobiça das amig@s da ti@. O jovem vai recebendo estabelecendo contacto com as amig@s da tia, e vai diversificado o seu lote de benemérit@s. Não tarda em internacionalizar-se e em conseguir um contrato de prazo mais alargado com direito a hospedagem e tudo. Mas como é comum, apesar de longo prazo o contrato acaba.

Volta o jovem ao contacto d@ ti@ original a disponibilizar os seus serviços e a pedir que o aconselhe @as amig@s, de preferência lhe encontre outro contrato internacional.

O jovem que no inicio teria os seus objectivos de vida, que se preocupasse ou não com o seu futuro ou a sua educação, torna-se em mais um membro da mais velha profissão do mundo...um prostituto, sem outro propósito que não encontrar o seu próximo cliente.

Esta história é comum a muitas cidades, esta história pode ser escrita mudando o género d@ ti@ ou do jovem, não é um problema exclusivo da comunidade gay, mas por vezes passa-se a ideia que na comunidade gay este cenário é inevitável, que quem tem posses, mas tarde ou mais cedo, tem de assumir o papel d@ ti@, e quem não tem posses deve assumir o papel do jovem.

Não passam de dois estereótipos que devemos combater, ninguém se deve conformar a papeis pré determinados, ser gay não define como a pessoa deve se comportar, como deve pensar, como deve-se vestir, o que deve comer ou beber, que musica deve ouvir. Ser gay não implica que se esteja preparado para discutir as últimas modas parisienses, ou adorar a última mala Gucci ou os últimos sapatos Prada. Não significa que se deve odiar o futebol e desdenhar quem prefere uma cerveja a um cocktais. Não significa que se deva idolatrar a Maddona e vibrar com os últimos acorde do Mika. Não significa que se deva estabelecer o sexo como a essência da vida e medir os outros pelo último bofe que conseguiram. Recuso-me a ter esta visão redutora da homossexualidade, a homossexualidade resume-se à atracção física, afectiva, emocional e/ou espiritual por alguém do mesmo sexo.

O carácter, os princípios morais, os gostos, os objectivos de vida, a personalidade não se definem com a orientação sexual, são questões individuais e formam-se com a própria pessoa, no seu processo de crescimento e maturidade. Não achem que se devam conformar aos estereótipos para se integrarem na comunidade, vivam de acordo com os vossos princípios e a vossa consciência, respeitem a diversidade, mas respeitem-se acima de tudo a vocês próprios e à vossa identidade, que é aquilo que vos torna únicos.

Um beijo para o vazio ...

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